quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Caça



A Caça - Jagten (2012)

O que você faria se fosse acusado injustamente? Provalvemente você pediria por provas. Mas e se não houvesse como provar? Seria a palavra dele contra a minha. E quando a palavra dele vale milhares de vezes mais que a sua? Brigaria com ele e o forçaria a falar a verdade? E se isso não fosse possível, enfim como você escaparia?

É este tipo de questionamento que este ótimo filme dinamarquês nos proporciona ao decorrer da trama. A Caça é sobre um professor de jardim da infância que vê sua vida e reputação em frangalhos após a angelical Klara (Annika Wedderkopp) declarar à diretora da creche que viu seu orgão genital duro. A partir deste episódio, Lucas (Mads Mikkelsen) se vê sendo caçado por toda a comunidade em que vivia pacificamente e mantinha ótimo relacionamento com todos. Ironicamente, Lucas é também um caçador, como a maioria de seus amigos. Falando em amigos, a pequena Klara que dá início a toda esta catastrófica confusão moral é, por sua vez, filha do melhor amigo de Lucas. Uma situação realmente complicada para os pais da criança e vizinhos que também tem seus filhos matriculados na mesma creche em que Lucas trabalhava. Como não pensar que poderia ser seu filho? Como você reagiria se a menina dos seus olhos que nunca mentiu para você falasse algo tão particular ao mundo adulto? Especialmente quando a mocinha deve ter apenas uns 5 anos de idade. Será que uma criança nesta idade mentiria? Com qual objetivo?

Infelizmente as crianças podem sim mentir e pior, fantasiar situações que nunca ocorreram, puramente por se sentirem privadas do que querem. O fato das crianças não terem noção das consequências desastrosas que suas palavras podem desencadear complica ainda mais o julgamento, tornando o suspeito em culpado quase que instantaneamente.

Excelente filme com um tema pouco abordado que é exatamento o outro lado da moeda. Vale a pena ser visto para refletir sobre nossos julgamentos e compreender que todos nós somos, de uma forma ou de outra, preconceituosos quando se diz respeito ao que acreditamos. Quando acreditamos que uma criança nunca mente, automaticamente nos tornamos preconceituoso com todos aqueles que alegam que uma criança tão angelical contou uma mentira tão depravada e por motívos fúteis. Aqui, no caso, uma paixonite não correspondida que Klara sente por Lucas.

Avaliação: Sinal Verde

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